O problema não é a IA ficar mais inteligente...

Editado: 28/09/2025

Introdução

Muita gente especula que a IA vai nos superar, que um dia será mais inteligente do que nós. Falam de vários motivos para isso: avanços tecnológicos, processamento absurdo, capacidade de aprendizado, etc.

Mas tem um ponto que não vejo comentarem. Para mim é o mais provável: a IA vai nos vencer por estarmos ficando cada vez pior.

No fim das contas, vamos perder para nós mesmos.

“Ah, mas a IA é uma criação nossa. Se perdermos, é culpa nossa de qualquer jeito.”

Entendo, mas eu quero destacar aqui outro ponto de vista.

A verdade é que estamos nos tornando menos críticos e menos curiosos. Cada vez mais terceirizamos o pensamento e as decisões. Deixando de evoluir.

Vou compartilhar meu devaneio somado com alguns fatos.

IA

A Inteligência Artificial surgiu no século 20, mas foi só nos últimos anos que seu crescimento se tornou exponencial. O avanço do hardware conseguiu acompanhar a demanda por processamento, os algoritmos evoluíram, e as aplicações se multiplicaram.

Mas agora estamos batendo em novas barreiras, uma delas é a física. Escassez de matéria-prima, eficiência energética e computacional. Tudo isso começou a desacelerar o ritmo de evolução.

Mesmo com o progresso constante, o crescimento já não é mais o mesmo.

Vale lembrar que a IA é treinada com dados do passado. Ela não cria algo verdadeiramente novo.

Ela reconhece padrões e combinações dentro do que já foi feito, com base no que viu ou melhor dizendo no que foi treinada. O resultado disso é uma combinação de resultados datados.

A inovação parte de nós.

Estamos ficando menos inteligentes?

Estudos recentes apontam, pela primeira vez, um declínio no QI das novas gerações. Podemos discutir os métodos, questionar a métrica do QI ou até mesmo duvidar dos próprios estudos. Toda essa manifestação é válida.

Mas vamos assumir, por um momento, que o estudo esteja certo e que seja apenas influência do digital.

Quais seriam os motivos?

Vou destacar alguns pontos que, na minha visão, fortalecem essa hipótese de declínio.

Fábrica

O processo de criação, distribuição e velocidade está cada vez mais parecido com o modelo de produção de uma fábrica.

Isso vale para diversas áreas. Quando pensamos em fábricas e revoluções industriais, imaginamos grandes espaços, muitas pessoas e trabalho repetitivo. Algo próximo do filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin.

Mas hoje temos fábricas modernas em lugares inesperados:

Vou destacar para o desenvolvimento de software. Porém me chamou atenção de pessoas acadêmicas relaterm algo parecido.

Academia

Dizem que a área acadêmica, no Brasil e fora, valoriza mais a quantidade de produção do que a qualidade.

Estudantes e pesquisadores são pressionados a publicar o tempo todo. O valor de um profissional está, muitas vezes, no número de artigos que ele publicou, não no impacto que eles causaram.

Recentemente, vi o neurocientista Miguel Nicolelis contar que seus orientandos às vezes pedem para chamar um graduando para realizar os experimentos práticos, enquanto eles escrevem os artigos. E ele responde: “Mas essa é a parte legal! Fazer os experimentos práticos!”

Ainda tem o agravante do tempo: em uma sociedade acelerada, cada vez menos jovens querem passar 5 anos numa graduação e mais 4 numa pós.
As justificativas são sempre as mesmas:

“Preciso trabalhar logo.”
“É tempo demais.”

É complicado, ainda mais que as bolsas de mestrado e doutorado tiveram reajuste tardio.

Um colega de trabalho muito competente, com quem aprendi muito, disse que ia fazer mestrado, porém a orientadora comentou que precisaria de mais horas diárias para dedicar. Diante disso, ele optou por não prosseguir. Simplesmente porque ganhava mais que o dobro da bolsa.

Um grande parênteses é que, no sistema de bolsas no Brasil, frequentemente há ameaças de cortarem, atraso de pagamento etc.

E olha que interessante, temos uma grande quantidade da ocupação de pesquisadores em relação a cientistas. Não são a mesma coisa e não necessariamente está vinculado a qual graduação foi feita. Você sabia disso?

Software

Na questão do software, é um pouco mais difícil de visualizar, pois é mais perceptivel quem está dentro da bolha.

A pandemia fomentou muito a produção de software e não foi a primeira vez que tivemos investimento tão grande a ser considerado uma bolha prestes a estourar.

Muitas contratações, softwares lançados e sendo atualizados frequentemente, migrações de carreira e entre outros. Depois veio a estabilização da euforia, resultando em layoffs, pessoas arrependidas e muitas desempregadas.

Estas questões a sociedade notou.

No desenvolvimento de software dentro de empresas, estudos e metodologias criadas antes foram adaptadas. O que poderia considerar o mais famoso que é Metodologias Ágeis, virou o padrão da grande maioria de empresas.

O nome encanta muito tanto quanto a palavra inteligência artificial.

Quantos desenvolvedores fazem uma vista grossa para possíveis bugs, ou um bug mais encondido, porém não dá para consertar agora, precisa entregar pro cliente rápido senão ele vai embora.

A arte de programar está se perdendo. Criar um software escultural está perdendo o brilho e está sendo pregado um software de remendos.

Eu gostaria de indicar um vídeo, é do Renato Augusto - Youtube. É muito bom este vídeo.

Deixar uma atenção de que as metodologias são importantes e tem seu valor. Meu destaque é a mudança de princípio.

Informação

Toda essa produção acelerada que só intensifica, cria dados e informações.

Um breve resumo do que são:

  • Dados: é um objeto bruto, utilizando de Aristóteles, dizemos que um dado é uma informação em potência.
  • Informação: é um conjunto de dados que foram processadas, transformou de pedra bruta para uma pedra lapidada.

A humanidade sempre evoluiu com a informação. Ela nos produziu conhecimento, e com isto tomamos decisões mais assertivas.

Mas quando se é bombardeado com muitas informações, hesitamos.

Vemos estudos que destacam alguns sintomas de ter muita informação principalmente em pessoas mais novas.

Devaneio

Gráfico de comparação da IA e Humanos

Eixo X: Tempo, Eixo Y: Inteligência

Vamos simplificar de forma grotesca que inteligência é medida por QI e dizer que IA tenha QI.

O ponto de intersecção seria o relato que a nova geração tenha em média menos QI que a anterior.

Chega um momento que a IA também estabiliza num valor fixo.

Por que ela iria parar de evoluir?

Porque ela aprende com o passado. Se nós paramos de evoluir, o teto de “conhecimento da IA” estará estagnado.

Se o pico de conhecimento da humanidade for até 2023, por conta do lançamento de Baldur Gate III, então o melhor modelo de IA seria até essa data.

Ao passar dos anos (2023+) teríamos a sensação que ela está evoluindo e iríamos confiar cada vez mais na IA, nos tornando progressivamente dependentes agravando o nosso declínio.

Pela primeira vez a humanidade passará a olhar pro passado em vez do futuro.

Isso se tornará um ciclo pois não produziríamos modelos novos e inovadores.

A IA dominar a gente por conta da sua crescente “infinita” é impossível. Isto é um fato.

Conclusão

Obrigado por ter lido até aqui.

Obrigado por aguentar essa minha loucura, queria compartilhar a minha insanidade.

A seção “Devaneio” é facilmente refutada. A humanidade sempre progride, porque o nosso potencial é ilimitado e temos a incrível habilidade de adaptar a cenários hostis.